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OPINIÃO – E O PROJETO BRASIL?


As entrevistas realizadas pela Rede Globo com os principais nomes da disputa pela Presidência ajudaram o brasileiro a conhecer melhor os candidatos. Mas deixaram praticamente sem resposta a pergunta que deveria ser a mais importante de uma eleição presidencial: que Brasil cada um deles pretende governar — e como pretende fazê-lo?


Não há como deixar de perceber que o formato das entrevistas acaba reforçando a polarização entre esquerda e direita, traduzida em uma consciente mobilização para isso. Desde a publicidade de feitos fantásticos no governo de Goiás (Caiado), até a apologia do “milagre brasileiro” (Lula), o que se viu nas entrevistas não tira do foco das discussões sobre quem é quem. As perguntas dos entrevistadores também não ajudaram. Perguntar a Flávio sobre o filme do pai pode esclarecer muito sobre as especulações de irregularidades, mas não demonstra a capacidade do candidato em promover um bom governo.


A suposta isenção de Cury cai por terra quando ele é perguntado sobre seu envolvimento com empresas de telemedicina. Caiado fica calado quando o assunto é dívida pública, ele repete o bordão “e o Lula, e o PT”? mas assume que vai tentar anistiar os envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro. Romeu Zema se complicou com temas simples, e quer mesmo é privatizar, coisa que ele fez muito mal em Minas, como aconteceu com a Cohab. Já Renan demonstrou todo seu destempero tradicional, salpicando falas sobre estado de defesa e manutenção das 44 h semanais. Lula se complicou, falando demais, e acabou não dizendo a que veio. Flávio, por sua vez, acumulou afirmações que não resistem à confrontação com os fatos.
O problema é maior que o desempenho de cada candidato diante das câmeras. Até agora, as candidaturas apresentam posições, bandeiras e críticas aos adversários, mas pouco se vê de modelos de gestão sustentados por programas capazes de enfrentar problemas estruturais do país. Saúde, Educação, Segurança Pública, equilíbrio fiscal e a própria relação entre Executivo e Congresso exigem mais que slogans. Exigem planejamento, prioridades, metas e, principalmente, dizer de onde virão os recursos e o apoio político para executá-las.


Enfim, vença quem vencer, a expectativa é que as campanhas se voltem para o debate de ideias e deixem de lado as atitudes de quinta série — aquelas briguinhas marcadas para a hora do recreio, lembram? O Brasil precisa saber menos sobre quem os candidatos odeiam e muito mais sobre o país que cada um pretende construir.

Rogério Magno é escritor e redator do Santa Luzia Já. As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor.

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