
Flávio Bolsonaro vai para os Estados Unidos após descumprir ordem de entrega dos passaportes, diz Reuters
ATUALIZAÇÃO: FONTES DOS ESTADOS UNIDOS CONFIRMAM O DESEMBARQUE DO SENADOR NO PAÍS.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (25), foi para os Estados Unidos, segundo informação confirmada por um aliado próximo à agência internacional Reuters nesta terça-feira (27). A notícia foi divulgada às 14h33, um dia depois de o parlamentar afirmar publicamente que não pretendia deixar o Brasil.

A saída ocorre em meio a uma investigação conduzida no Supremo Tribunal Federal (STF), na qual Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. O ministro Alexandre de Moraes havia determinado que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o território nacional. O prazo de 24 horas terminou nesta terça-feira sem a entrega dos documentos. A Polícia Federal confirmou o cancelamento dos passaportes e informou que comunicaria ao STF o descumprimento da determinação judicial.
Senador havia prometido permanecer no Brasil
Na segunda-feira (26), após ser intimado pela Polícia Federal, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que cumpriria a decisão judicial.
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes”, declarou o senador, que também classificou a medida como uma tentativa de intimidação.
Na mesma gravação, afirmou que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo.
A confirmação da viagem por um aliado à Reuters, no dia seguinte, contradiz a declaração pública do parlamentar.
Suspeita de passagem pela Argentina
A primeira informação sobre uma possível saída do país surgiu na imprensa argentina. O portal Infobae publicou que Flávio teria atravessado a fronteira brasileira em direção a Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha a Foz do Iguaçu, para embarcar em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
A reportagem identificou a aeronave como um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly. A decolagem estaria prevista para as 2h da madrugada desta terça-feira.
Registros de monitoramento aéreo consultados pela imprensa brasileira mostraram que o avião saiu de Buenos Aires na noite de segunda-feira, às 22h14, e pousou em Puerto Iguazú às 23h45.
Entretanto, os registros divulgados não demonstram que Flávio Bolsonaro tenha embarcado na aeronave ou que o jato tenha seguido para os Estados Unidos.
Governo argentino nega entrada do senador
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não encontrou registro de entrada de Flávio Bolsonaro no país. Segundo o órgão, as autoridades verificaram a situação da aeronave mencionada nas reportagens e constataram que a documentação da empresa estava regular. Também informaram que não havia plano de voo apresentado que incluísse integrantes da família Bolsonaro.
O governo argentino negou, portanto, a versão de que o senador teria ingressado oficialmente em seu território. A confirmação de sua ida aos Estados Unidos, divulgada pela Reuters com base em um aliado próximo, não esclarece qual rota foi utilizada.
Investigação no Supremo
A determinação de entrega dos passaportes foi tomada por Alexandre de Moraes no âmbito de um inquérito que investiga Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro. A decisão também proibiu o contato entre o senador e o advogado. Segundo as reportagens, a medida ocorreu após Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, sugerir publicamente que o senador deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial.
Flávio nega irregularidades e questiona a legalidade das medidas adotadas contra ele.
O que está confirmado e o que falta esclarecer
Até a tarde desta terça-feira (27), três informações estavam estabelecidas: um aliado próximo confirmou à Reuters a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos; a Polícia Federal cancelou seus passaportes após o descumprimento da ordem de entrega; e as autoridades argentinas negaram ter registrado sua entrada no país.
Permanecem sem esclarecimento público a rota efetivamente utilizada, a aeronave em que o senador viajou e as circunstâncias de sua saída do território brasileiro. A eventual responsabilização pelo descumprimento da decisão judicial dependerá das providências adotadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Fontes: Reuters (27/10/2026, 14h33), Agência Brasil (27/10/2026, 12h52), UOL, Itatiaia e Deutsche Welle.




