
Segundo turno começa com Flávio na frente e direita fortalecida nos estados e no Senado
Lula e Flávio Bolsonaro voltam às urnas no dia 25 de outubro; disputa pelos apoios começa em um cenário político diferente do encontrado há quatro anos
Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno da eleição presidencial no próximo dia 25 de outubro. Flávio terminou o primeiro turno na frente, com cerca de 47% dos votos válidos, contra pouco mais de 45% de Lula. A diferença ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A disputa agora se desloca para os eleitores dos candidatos derrotados e para a montagem dos palanques estaduais.
Apoios ainda estão em movimento

Na manhã desta segunda-feira (5), os principais candidatos derrotados ainda não haviam formado dois blocos definidos. Augusto Cury não declarou apoio a nenhum dos finalistas. Ronaldo Caiado e Renan Santos também não anunciaram voto. O PSD decidiu liberar seus filiados. Romeu Zema afirmou que estará “contra o PT”, mas não declarou formalmente apoio a Flávio Bolsonaro. A federação União Brasil-PP sinaliza aproximação com Flávio, mas a decisão formal ainda depende das direções partidárias.
Estados favorecem Flávio
O mapa dos governos estaduais, entretanto, mostra vantagem política para Flávio na montagem dos palanques. Entre os governadores definidos no primeiro turno, aliados de Flávio venceram em dez estados, enquanto aliados de Lula conquistaram cinco. São Paulo e Minas Gerais, dois dos maiores colégios eleitorais do país, elegeram Tarcísio de Freitas e Cleitinho Azevedo, ambos aliados de Flávio Bolsonaro.
Nos sete estados onde haverá segundo turno para governador, os dois presidenciáveis também disputarão espaço e alianças.
PL cresce fortemente no Senado
A eleição produziu outra mudança importante no equilíbrio de poder em Brasília. O PL elegeu 19 senadores e começará 2027 com 28 das 81 cadeiras do Senado, tornando-se, com larga vantagem, a maior bancada da Casa. O PT terá nove senadores e o MDB, oito.
O crescimento do PL terá consequências independentemente do vencedor da eleição presidencial. O Senado participa da aprovação de ministros do Supremo Tribunal Federal, autoridades do Banco Central, procurador-geral da República e outras indicações feitas pelo presidente.
Além disso, uma bancada desse tamanho amplia o peso do partido nas comissões e na própria disputa pelo comando do Congresso.
Segundo turno começa em outro cenário
Lula chega ao segundo turno buscando reverter a diferença do primeiro, enquanto Flávio tenta transformar a vantagem obtida nas urnas e o crescimento da direita nos estados e no Congresso em votos para a eleição presidencial. A primeira batalha será pelos cerca de 8% dos votos válidos dados aos demais candidatos. A segunda será pelos palanques estaduais. E a terceira acontecerá dentro do próprio Congresso que começará a funcionar em 2027 — muito diferente daquele eleito quatro anos antes.



